COM O
BUQUÊ NAS MÃOS
CAPÍTULO
QUATRO
O casal foi para casa descansar,
precisavam reservar energia para o forró da noite de sábado. Naquele dia, um
grupo famoso iria se apresentar na Pirâmide e Gabriel queria levar sua amada
para dançar. Viviane alertou o rapaz de que não sabia dançar forró, poderia dar
vexame. Ele sorriu e disse:
-Basta me acompanhar, vou guia-la pela
vida afora e, é bom começarmos agora. Você dançou comigo no outro dia, é a
mesma coisa, com pequenas variações. Ficou pensativo e depois continuou:
- Eu sou o cavalheiro que irá conduzi-la
aos céus. Gabriel enfatizou as palavras, olhando fixamente para ela. Aquela
fora uma metáfora cheia de muitas intenções, carecia de reflexão.
Ela balançou a cabeça e pensou
que ainda era cedo para ter tantas certezas, mas ficou calada, não iria
estragar aquele momento. Faria tudo para não pisar nos pés de Gabriel. Ela
gostava do rapaz, mas não queria errar novamente, seu casamento fora um
desastre. Ainda tinha alguns dias para conhece-lo melhor e tempo para decidir
seu futuro.
A noite chegou e Viviane
acompanhou o rapaz ao Parque do Povo, onde podia-se ouvir o som do forró em
todos os salões do local. A música, com uma batida dançante, enfeitava o ar e
convidava o povo para dançar.
De mãos dadas, os dois passearam por
entre os quiosques e as barracas de artesanatos, parando para admirar uma peça e
outra. Havia muitas tapeçarias, bibelôs e pequenas lembranças do Maior São João
do Mundo para serem vistas, depois foram assistir ao show e dançar até o
amanhecer.
No domingo, Gabriel levou
Viviane para conhecer seus pais e almoçaram com a família. Em seguida, voltaram
para casa e ficaram o resto do dia assistindo televisão, estavam exaustos.
No dia seguinte, o rapaz foi
trabalhar e ela teve tempo para curtir a casa e observar os objetos que ele
gostava, tais como: os livros, as roupas e as disposições dos utensílios
domésticos. A moradia de uma pessoa diz muito sobre ela e Viviane era
psicóloga. Fez algumas arrumações e a tarde preparou o jantar. Foi uma noite
feliz, estavam apaixonados e em paz.
Finalmente chegou o dia dos
namorados e a noite iriam assistir o casamento comunitário na Pirâmide. Viviane
estava empolgada, queria ver de perto toda aquela realização coletiva. Em
Campina Grande, o dia de Santo Antônio é de descanso, assim todos podem
desfrutar dos festejos até tarde da noite.
O
casamento estava marcado para as dezenove horas e quando o casal chegou, o espaço
já estava cheio de gente. Gabriel puxou Viviane até um local, onde dava para
ver a cerimônia. A moça estava surpresa com a grandeza do evento e a alegria
estampada nos rostos das pessoas.
No palco de shows estava a
Filarmônica local, que tocava músicas temáticas de núpcias, para promover o
encanto que o momento necessitava. Era dia dos namorados e havia muitos convites ao
amor, espalhados no ar. Os casais se entreolhavam com um sorriso e um olhar
inebriante, que prometia uma noite de sonhos.
Então, ao som da marcha nupcial
todos se calaram. Em seguida, houve um burburinho, a porta principal foi aberta
e o primeiro casal apareceu. A noiva estava com um buquê de rosas vermelhas nas
mãos. Era um casal de meia idade, mas traziam nos lábios o sorriso de jovens
vitoriosos.
Um texto de Eva Ibrahim Sousa